terça-feira, 3 de maio de 2011

Profissão: Mãe


Na semana em que a França proibiu a cara coberta às muçulmanas, a revista Notícias Magazine de 17 de Abril de 2011, apresentou alguns casos de mulheres que desistiram da sua carreira profissional para se dedicarem exclusivamente a cuidar dos seus filhos. "Mães a tempo inteiro sorridentes, sem problemas de consciência, modernas, leitoras de Virginia Wolf e fazedoras de blogues divertidos, em pausas descomplexadas nas suas carreiras e às quais pretendem voltar em breve."
Muitos podem pensar: "Estas mulheres ficaram em casa porque podiam."
As próprias assumem a veracidade desse facto e consideram-se mulheres privilegiadas, bem casadas, sem necessidade de ajudar no sustento da sua família.
Carla Rodrigues (36 anos), Paula Almeida (35 anos), Rita Pinto (34 anos), Carla Fonseca (37 anos), Ana Rute Cavaco (34 anos), Raquel Silva (31 anos) e Filipa Teves (36 anos) são as vozes que dão corpo a esta reportagem. "Eram directoras de publicidade, jornalistas, advogadas, gestoras de marketing ou chefes de departamento numa multinacional. Não foram educadas para serem donas de casa, deram prioridade à escola e ao trabalho. Mas depois chegaram os filhos e elas decidiram ser mère au foyer (mãe que fica em casa). Dizem que não é um retrocesso nas conquistas femininas - estas mulheres puderam optar e acham que isso faz diferença."

Maria do Pilar González, especialista em Economia do Trabalho da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, alerta para o facto de estas decisões serem mesmo uma escolha ou serem um condicionamento pelo mercado de trabalho. Esta refere que os homens são, na sua maioria, mais bem remunerados e possuem empregos mais estáveis e que por isso, quando existe a necessidade de escolher quem abdica da carreira, a mulher acaba por ser quem toma essa opção.

"Apesar das dificuldades, ficar em casa com os filhos não parece ser uma tendência crescente. Em 2010, o INE só contabilizava 493 domésticas (pessoas que "não tendo um emprego, nem estando desempregadas, se ocupam das tarefas domésticas no seu próprio lar"). (...) O Ministério do Trabalho e Segurança Social não tem dados que ajudem a retratar esta realidade, mas a socióloga Isabel Dias, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, lembra que "as portuguesas estão fortemente inseridas no mercado de trabalho" e não há perspectivas de mudança. "Interromper a carreira é mais frequente para as mulheres com três ou mais filhos, porque o recurso a serviços de guarda fica mais caro", sustenta."

Num país onde os empregos a tempo parcial têm pouca expressão (na ordem dos 16%, de acordo com Karin Wall, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), parece difícil encontrar equilíbrios.

adaptado de reportagem "Profissão: Mãe", texto de Ana Cristina Gomes na revista Notícias Magazine #986 de 17 de Abril de 2011, integrada no Jornal de Notícias nº 320/123

Imagem de Pablo Picasso

"Anyone Else But You" - Michael Cera and Ellen Page em Juno



Qualquer Um Além de ti (Anyone else but you)

Tu és um amante de meio-período e um amigo em tempo
inteiro
O teu vício é a última moda,
Eu não vejo o que qualquer um pode ver,
Em qualquer outra pessoa,
Além de ti.

Aqui está a igreja e aqui é o campanário
Com certeza nós somos fofos para duas pessoas feias
Eu não vejo o que qualquer um pode ver,
Em qualquer outra pessoa,
Além de ti.

Ambos temos brilhantes e felizes acessos de raiva
Eu quero mais fãs, tu queres mais palco
Eu não vejo o que qualquer um pode ver,
Em qualquer outra pessoa,
Além de ti.

Tu estás sempre tentando a ser verdadeiro
Eu estou apaixonada pelo jeito como tu te sentes
Eu não vejo o que qualquer um pode ver
Em qualquer outra pessoa
Além de ti.

Eu beijo a tua cabeça na sombra de um comboio
Beijo-te com o olhar estrelado
O meu corpo está a oscilar de uma lado para o outro
Eu não vejo o que qualquer um pode ver,
Em qualquer outra pessoa,
Além de ti.

Os pedregulhos perdoam-me,
As árvores perdoam-me,
Então, porque é que tu não me podes perdoar?
Eu não vejo o que qualquer um pode ver,
Em qualquer outra pessoa,
Além de ti.

Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Eu não vejo o que qualquer um pode ver,
Em qualquer outra pessoa,
Além de ti.

(tradução da letra da música Anyone Else But You da banda The Moldy Peaches, música integrante da banda sonora do filme JUNO)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

E porque hoje é segunda...é dia de teoria

Teorias de ensino e aprendizagem na escolha de uma escola para o seu filho
Uma das preocupações familiares é a aprendizagem dos filhos e um bom ensino escolar. Sabendo as principais correntes de pensamento na educação, você, mãe e pai, pode optar pela escola que melhor se adapta ao seu filho e o que deseja para ele. Ter uma noção do que cada cor­rente defende e o tipo de resul­tado que pre­tende atingir pode aju­dar na hora de esco­lher uma ­escola. Com infor­ma­ções sobre as prin­ci­pais teo­rias de ensino e apren­di­za­gem, também pode inter­pre­tar ­melhor o que um dire­ctor ou orien­ta­dor diz e terá mais ele­men­tos para ava­liar o colé­gio. Mas é pre­ciso cui­dado. "As teo­rias de ­ensino e apren­di­za­gem são abs­tra­cções. Mas a prá­tica não é uma sim­ples repro­du­ção de teo­rias", diz a lin­guista Fer­nanda Libe­rali, pro­fes­sora no Pro­grama de Pós-Gra­dua­ção da PUC/SP e con­sul­tora de ­várias esco­las. Sendo assim as principais correntes são:

1.                  Comportamentalismo – o professor planeia, estimula e passa o conhecimento aos alunos. O foco é a transmissão dos conteúdos.
Quem foi o pai da idéia: o psicólogo norte-americano Burrhus Frederic Skinner (1904-1990).
O que diz: é possível modelar o indivíduo, condicionando os seus comportamentos. Para isso, devem-se utilizar os estímulos e reforços adequados. Segundo Skinner, todo o comportamento é determinado pelo ambiente, mesmo que a relação do indivíduo com esse ambiente não seja passiva, e sim de interacção. Ou seja, um professor pode definir que resultado pretende alcançar com os seus alunos e oferecer-lhes os estímulos e recompensas adequados à medida que os alunos avançam.
Onde está o foco: nos conteúdos a serem transmitidos e no professor em si.
Qual é o papel do professor: o professor, ou até o livro didáctico, em alguns casos, é a autoridade máxima, detentora do conhecimento. O aluno é o aprendiz que deve absorver esse conhecimento quanto mais, melhor
Como se ­aprende: por memorização e repetição.
Como se introduz um novo conceito: o professor faz um planeamento e apresenta os conceitos do género: “Hoje vamos falar sobre…”.
Quais são os reflexos na sala de aula: as aulas, em geral, são expositivas, com o professor a falar e a turma, de preferência, quieta. Erros são corrigidos imediatamente e recorre-se à repetição.
Que tipo de indivíduo espera-se for­mar: pessoas com vasto saber enciclopédico. Indivíduos focados no trabalho, que correspondem às demandas e se ajustam bem aos ambientes.

2.                  Construtivismo - a criança constrói o conhecimento por meio de descobertas. Valoriza-se o conhecimento prévio do aluno.
Quem foi o pai da idéia: o bió­logo suíço Jean Pia­get (1896-1980).
O que diz: segundo Piaget, o pen­sa­mento infan­til passa por qua­tro está­gios, desde o nas­ci­mento até o iní­cio da ado­les­cên­cia, ­quando a capa­ci­dade plena de racio­cí­nio é atin­gida. Assim, a criança cons­trói o conhecimento a par­tir das suas des­co­ber­tas, ­quando em con­tacto com o mundo e com os objec­tos. Por isso, não ­adianta ensi­nar a um aluno algo que ele ainda não tem con­di­ções inte­lec­tuais de absor­ver. Ou seja, o tra­ba­lho de edu­car não se deve limi­tar a trans­mi­tir con­teú­dos, mas a favo­re­cer a acti­vi­dade men­tal do aluno. Por isso, impor­tante é não ape­nas assi­mi­lar con­cei­tos, mas tam­bém gerar ques­tões e ampliar ideias.
Onde está o foco: no aluno e nas suas ope­ra­ções men­tais.
Qual é o papel do pro­fes­sor: obser­var o aluno, inves­ti­gar quais são os seus conhe­ci­men­tos pré­vios, seus inte­res­ses e, a par­tir dessa baga­gem, pro­cu­rar apre­sen­tar diver­sos ele­men­tos para que o aluno cons­trua seu conhe­ci­mento. O pro­fes­sor cria situa­ções para que o aluno che­gue ao conhe­ci­mento.
Como se ­aprende: expe­ri­men­tando, viven­ciando.
Como se intro­duz um novo con­ceito: para falar em mul­ti­pli­ca­ção, por exem­plo, o pro­fes­sor pode apre­sen­tar uma sequên­cia de somas, até que o aluno che­gue ao con­ceito da mul­ti­pli­ca­ção. Nada de deco­rar ­tabuada. Ou, para apre­sen­tar for­mas geo­mé­tri­cas, o pro­fes­sor dará aos alu­nos ­vários mate­riais, eles farão dese­nhos e obser­va­rão figu­ras até per­ce­be­rem o cír­culo, o qua­drado, o triân­gulo, etc.
Quais são os refle­xos na sala de aula: há menos inter­fe­rên­cia do pro­fes­sor, que res­peita as fases desenvolvimentais do aluno e pro­cura cor­res­pon­der aos seus inte­res­ses. As salas têm mais objec­tos para manu­sear, mais mate­rial, como blo­cos lógi­cos, figu­ras, etc. As cor­re­cções não acon­te­cem de modo ime­diato, pois os erros são con­si­de­ra­dos parte do pro­cesso de apren­di­za­gem.
Que tipo de indi­ví­duo ­espera-se for­mar: pes­soas com auto­no­mia que inte­ragem com o meio, que têm ­ideias pró­prias e são capazes de criar, com uma visão par­ti­cu­lar do mundo.

3.                  Socioconstrutivismo – a aprendizagem não se subordina ao desenvolvimento das estruturas intelectuais da criança mas a uma cooperação em grupo. O trabalho em grupo é uma ferramenta-chave para a busca do conhecimento
Quem foi o pai da idéia: o psi­có­logo bielo-russo Lev ­Vygotsky (1896-1934).
O que diz: foca a inte­rac­ção. ­Segundo ­Vygotsky, todo apren­di­zado é neces­sa­ria­mente mediado e isso torna o papel do ­ensino e do pro­fes­sor mais activo do que o pre­visto por Pia­get. O apren­di­zado não se subor­dina ao desen­vol­vi­mento das estru­tu­ras inte­lec­tuais da ­criança, mas um se ali­menta do outro, pro­vo­cando sal­tos qua­li­ta­ti­vos de conhe­ci­mento. O ensino deve se ante­ci­par ao que o aluno ainda não sabe nem é capaz de apren­der sozi­nho. É a isso que se ­refere um de seus prin­ci­pais con­cei­tos, o de "zona de desen­vol­vi­mento pro­xi­mal", que seria a dis­tân­cia entre o desen­vol­vi­mento real da ­criança e ­aquilo que ela tem poten­cial de apren­der, ou entre "o ser e o tor­nar-se".
Onde está o foco: na inte­ra­cção. É na rela­ção aluno-pro­fes­sor e aluno-aluno que se pro­duz conhe­ci­mento.
Qual é o papel do pro­fes­sor: ele actua como media­dor entre o aluno, os conhe­ci­men­tos que este pos­sui e o mundo.
Como se ­aprende: obser­vando o meio, ­entrando em con­tacto com o que já foi des­co­berto e orga­ni­zando o conhe­ci­mento junto com os ­outros (pro­fes­sor e turma).
Como se intro­duz um novo con­ceito: se as crian­ças vão apren­der sobre doen­ças, por exem­plo, pri­meiro o pro­fes­sor ­coloca-as ­diante de pro­ble­mas para que os resol­vam com o que já sabem e mos­tra a elas a neces­si­dade de novos sabe­res, que terão de encon­trar de dife­ren­tes for­mas. Então, o professor as auxi­lia nesse pro­cesso de busca de novos conhe­ci­men­tos. Os alunos podem tanto ir entre­vis­tar um ­médico (o pro­fes­sor orien­tará a turma sobre como fazer uma entre­vista), como con­sul­tar um livro ou a inter­net.
Quais são os refle­xos na sala de aula: há mais cola­bo­ra­ção e tra­ba­lhos em grupo. Parte-se do conhe­ci­mento quoti­diano para se che­gar à pro­du­ção de conhe­ci­mento. O pro­fes­sor pro­põe tare­fas que desa­fiam os alu­nos. Erros são con­si­de­ra­dos parte do apren­di­zado pois mos­tram ao pro­fes­sor como o aluno está a raciocinar. Os con­teú­dos são apre­sen­ta­dos por temas: ­aprende-se sobre escra­vi­dão, por exem­plo, inves­ti­gando como ela se deu em ­vários perío­dos, e não neces­sa­ria­mente pela ordem cro­no­ló­gica. Uti­li­zam-se, para isso, mui­tos mate­riais: repor­ta­gens, fil­mes, etc.
Que tipo de indi­ví­duo ­espera-se for­mar: pes­soas coo­pe­ra­ti­vas, que ­tenham com­pro­misso com o mundo e com o outro, que sai­bam tanto expor suas ­ideias ­quanto ouvir. Pessoas que não neces­sa­ria­mente terão um conhe­ci­mento enci­clo­pé­dico, mas que saberão como pro­cu­rar as infor­ma­ções que lhe fazem falta.
4.                  Waldorf – clareza do raciocínio, equilíbrio emocional e iniciativa de acção. O professor acompanha a turma por sete anos.
Quem foi o pai da ideia: o educador austríaco Rudolf Steiner (1861-1925)
O que diz: a vivência deve preceder a teoria. Deste modo, o método prevê que o currículo escolar deve ser individualizado e levar em conta apenas as necessidades de aprendizagem do aluno em cada fase da sua vida.
Onde está o foco: no aluno e no seu tutor.

Qual o papel do professor: cada classe tem um tutor responsável por todas as matérias, que acompanha a mesma turma durante sete anos. "Nós precisamos ser uma referência de comportamento e disciplina para que o aluno possa se espelhar", justifica Alfredo Rheingantz, professor e membro da coordenação da Escola Waldorf Rudolf Steiner. Durante o período correspondente ao Ensino Médio, as classes ganham professores especialistas, mas continuam com um tutor.
Como se aprende: o ensino é dividido em ciclos de sete anos (de 0 a 7, de 8 a 14 e de 15 a 21 anos) e não há repetentes, justamente para que as etapas de aprendizagem possam estar em sintonia com o ritmo biológico próprio de cada idade. Como não há provas, as avaliações são baseadas nas actividades diárias, que resultam em boletins descritivos sobre o comportamento, a maturidade e o aproveitamento dos estudantes.
Como se introduz um novo conceito: outra característica da pedagogia Waldorf é o ensino em épocas. Em vez de ter aulas de diversas disciplinas ao longo do dia ou da semana, o aluno passa quatro semanas apenas a ver uma única matéria. "Isso permite que o aluno lembre mais facilmente o que viu e aprofunde melhor os conteúdos", diz Rheingantz.
Quais são os reflexos na sala de aula: no primeiro ciclo, a ênfase é no desenvolvimento da coordenação motora e no despertar da memória. Como essa fase é dedicada principalmente às actividades lúdicas, não inclui o processo de alfabetização, que acontece apenas no segundo ciclo. Neste, que corresponde ao ensino fundamental, o foco é na educação dos sentimentos para que os alunos adquiram maturidade emocional. Daí a pedagogia Waldorf ser repleta de actividades artísticas, como música, teatro e artes plásticas, além de trabalhos manuais, como marcenaria, tricô e jardinagem.
Que tipo de indivíduo espera-se formar: o método Waldorf visa desenvolver a personalidade do aluno, florescendo nele a clareza do raciocínio, equilibro emocional e a iniciativa de acção. No final da escola, o estudante estará pronto para exercitar o pensamento e fazer uma análise crítica do mundo.

5.                  Montessori – formação integral do jovem, uma “educação para a vida”.
Quem foi o pai da ideia: a pedagoga italiana Maria Montessori (1870-1952)

O que diz: a linha montessoriana valoriza a educação pelos sentidos e pelo movimento para estimular a concentração e as percepções sensório-motoras da criança.
Onde está o foco: no aluno. A teoria montessoriana crê que as crianças trazem dentro de si o potencial criador que permite que elas mesmas conduzam a aprendizagem e encontrem um lugar no mundo. “Todo conhecimento passa por uma prática e a escola deve facilitar o acesso a ela”, diz a educadora Talita de Oliveira Almeida. 
Qual o papel do professor: Maria Montessori foi pioneira no campo pedagógico ao dar mais ênfase à auto-educação do aluno do que ao papel do professor como fonte de conhecimento. “Ela acreditava que a educação é uma conquista da criança, pois percebeu que já nascemos com a capacidade de ensinar a nós mesmos, se nos forem dadas as condições”, diz Talita. Assim como no construtivismo, os professores assumem o papel de guia, conduzindo e motivando o aluno no processo de aprendizagem.
Como se aprende: o método Montessori parte do concreto rumo ao abstracto. Baseia-se na observação de que meninos e meninas aprendem melhor pela experiência directa de procura e descoberta. Para tornar esse processo o mais rico possível, a educadora italiana desenvolveu os materiais didácticos que constituem um dos aspectos mais conhecidos do seu trabalho. São objectos simples, mas muito atraentes, e projectados para provocar o raciocínio. Há materiais pensados para auxiliar todo tipo de aprendizado, do sistema decimal à estrutura da linguagem.
Como se introduz um novo conceito: na Educação Infantil, enfatiza a manipulação de peças de tamanhos, formas, texturas e cores diferentes. Na alfabetização, com a ajuda de objectos como o alfabeto móvel, utiliza-se o método fonético, em que o aprendizado parte do som da letra para se construir a palavra e depois o texto. Devido principalmente, às exigências do vestibular, a pedagogia montessoriana raramente é aplicada no Ensino Médio.
Quais os reflexos na sala de aula: crianças de idades diferentes são agrupadas numa mesma turma. Nessas classes, alunos de 5 e 6 anos estudam na mesma sala e seguem um programa único. Posteriormente eles passam para as turmas de 7 e 8, em seguida para as de 9 e 10, e, finalmente, alcançam o último estágio, que agrega jovens de 11, 12, 13 e 14 anos. Até os 10 anos, os alunos têm aulas com um único professor polivalente, enquanto nas salas de 11 a 14, esse professor ganha a companhia de docentes específicos para cada uma das disciplinas. Para que esse método funcione bem, frequentemente há actividades em duplas, trios ou grupos. Dependendo do conteúdo, o professor pode dividir a classe em grupos por idade. A maior parte do material didáctico, especialmente entre os mais novos, é de uso colectivo, como livros e lápis. A avaliação é feita para todas as tarefas, portanto, não existem provas formais. “Além de dar um conceito para cada aluno, os professores preparam boletins detalhados, especificando as posturas e os procedimentos dos estudantes”, conta Edimara de Lima, directora pedagógica da Escola Prima Montessori de São Paulo
Que tipo de indivíduo pretende formar: individualidade, actividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objecto do ensino. Montessori defendia uma concepção de educação que se estende além dos limites da acumulação de informações. O objectivo da escola é a formação integral do jovem, uma “educação para a vida”. A filosofia e os métodos elaborados pela médica italiana procuram desenvolver o potencial criativo desde a primeira infância, associando-o à vontade de aprender – conceito que ela considerava inerente a todos os seres humanos.

Retirado de: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/materias_295376.shtml

domingo, 1 de maio de 2011

Reflexão sobre o filme "Juno"

Sinopse: o filme “Juno” relata a história de uma adolescente de 16 anos - Juno MacGuff (Ellen Page) - que após descobrir que está grávida de 9 semanas de Paulie Bleeker (Michael Cera), um colega de liceu, pondera várias soluções para resolver a sua situação. A princípio ela opta pelo aborto, mas uma decisão de última hora faz com que mude de ideias, decidindo-se pela adopção. Com a ajuda da sua melhor amiga, Leah (Olivia Thirlby), Juno procura nos classificados de um jornal pais adoptivos que lhe pareçam ideais. Juntamente com o seu pai, Mac (J.K. Simmons), visita os possíveis pais adoptivos da criança, Mark e Vanessa Loring (Jason Bateman e Jennifer Garner). Com o passar do tempo, Mark e Juno acabam por se tornar amigos com diversos interesses em comum. Complicações surgem, desde a sua vida na escola, passando pela sua vida familiar até sua vida amorosa... 

  


Este filme centra-se numa questão importante nos dias de hoje, a gravidez na adolescência!

Actualmente, esta situação é de tal modo frequente e preocupante, que é encarada como um problema de extrema importância. Tem-se verificado um aumento do número de mães adolescentes, que dão à luz numa altura em que estão a desenvolver algumas capacidades emocionais e cognitivas. A adolescente e o seu filho são particularmente vulneráveis aos riscos inerentes à gravidez e maternidade, devido à especificidade das alterações que ocorrem nesta faixa etária. É por isso importante apoiar as mães adolescentes, pois sabe-se que estas ultrapassam dificuldades que são um factor de risco no desenvolvimento biológico, psicológico, físico e cognitivo dos seus filhos.
Para muitas famílias questões relacionadas com sexo, prevenção da gravidez e doenças sexualmente transmissíveis são temáticas de difícil abordagem no seio familiar. Esta dificuldade de diálogo sobre o tema inibe os filhos a exporem as suas dúvidas, o que em muitos casos trás consequências indesejadas, tais como a gravidez que, por sua vez, pode terminar em aborto com todas as consequências a ele inerentes.
No caso de Juno, o facto de viver no seio de uma família desestruturada, com pais divorciados e a pouca comunicação poderá ter influenciado a sua conduta e o modo como tentou solucionar o seu problema.
Ao optar pela adopção Juno irá dar continuidade à sua vida de adolescente sem a responsabilidade da maternidade. De facto é difícil jovens nesta faixa etária estarem preparadas para cuidar de outro ser que requer tantos cuidados. Se a adolescente ainda se encontra em reestruturação da personalidade, levando-se em conta o aspecto emocional e financeiro, além da experiência de vida necessária, como poderá actuar como alguém que necessita oferecer apoio e estruturação a outro?
No que respeita ao bebé de Juno a separação da mãe biológica deixará marcas, ainda que inconscientes. No entanto estas marcas poderão ser minimizadas pela sua integração precoce numa família adoptiva, que irá satisfazer as suas necessidades básicas. Á medida que se for estabelecendo a vinculação todas as necessidades da criança estão garantidas da mesma forma que no seio das famílias biológicas estruturadas. Num post anterior abordámos o tema CresSER em Familia Adoptiva que o leitor poderá consultar para uma melhor compreensão desta temática.
Finalizamos, referindo que o seio familiar onde crescemos e nos desenvolvemos condiciona o ser humano em que nos tornamos. É por isso que a educação de um filho é o maior projecto das nossas vidas e aquele em que o investimento deverá ser maior.



sábado, 30 de abril de 2011

7 Semanas...7 Hábitos


No âmbito da nossa temática Família enquanto espaço de Crescimento, o blog CresSer vai publicar ao longo de 7 semanas, 7 Hábitos dos bons pais e dos pais brilhantes, numa tentativa de ajudar os pais educadores nossos seguidores a adquirir ferramentas necessárias para formar não um filho, mas um Ser Humano! Segundo Augustos Cury no livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, “os filhos não precisam de pais extraordinários, mas de seres humanos que falem a sua linguagem e sejam capazes de penetrar no seu coração”.
1º
Os bons pais dão presentes, os pais brilhantes dão o seu próprio ser!

Este hábito dos pais brilhantes contribui para desenvolver nos seus filhos:auto-estima, protecção da emoção, capacidade de trabalhar perdas e frustrações, de filtrar estímulos “stressantes”, de dialogar e de ouvir.

Os bons pais atendem, dentro das suas possibilidades económicas, os desejos dos filhos, sendo lembrados por estes apenas por um momento. Os pais brilhantes dão algo incomparavelmente mais valioso aos seus filhos: o seu ser, a sua história, experiências, lágrimas e o seu tempo, tornando-se inesquecíveis. É fundamental para a formação da personalidade dos filhos que os pais se deixem conhecer porque essa é a única maneira de educar a emoção e criar vínculos sólidos e profundos. Tenha consciência de que educar é cada um penetrar no mundo do outro. Uma das causas do individualismo entre os jovens é que os pais não cruzam a sua história com a dos seus filhos. Tente fazer do tempo que tem disponível grandes momentos de convívio e partilha com eles. Adquira o hábito de abrir o seu coração aos seus filhos e deixe-os registar a sua personalidade; eles apaixonar-se-ão por si, terão prazer em procurá-lo e em estar perto de si.


Retirado e adaptado do livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes de Augusto Cury.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Um sonho possível

Em seguimento da temática das publicações anteriores, o blog CreSer sugere a visualização do filme "Um sonho possível" baseado no livro The Blind Side com direcção de John Hancock.

Sinopse: O filme "Um sonho possível" conta a história de um adolescente, Michael Oher, que sobrevive sozinho vivendo como um sem-abrigo, quando é encontrado por Leigh Anne. Quando esta toma conhecimento que o adolescente é colega de escola do seu filho, insiste com Michael - que veste apenas calções e t-shirt em pleno Inverno - para que a deixe resgatá-lo do frio. Sem hesitar ela convida-o a passar a noite em sua casa. O que começa por ser um gesto de bondade evolui para algo mais, pois Michael passa a fazer parte da família, apesar de terem origens completamente diferentes. Vivendo num novo ambiente, o adolescente tem de encarar novos desafios. E à medida que a família ajuda Michael a desenvolver todo o seu potencial, a presença de Michael na vida da família Tuohy conduz todos a uma jornada de auto-descoberta.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Blog CresSER tem mais duas sugestões de leitura para aprofundar o tema da adopção:

-" La aventura de convertirse en familia"
- "Adopcion y escuela"
   Blur ediciones
Um guia práctico e util para aqueles que adoptaram ou vão adoptar um filho.
Recomendamos tambem estes livros para os psicólogos que queiram conhecer o "mundo da adopção" para melhor responder às necessidades das familias adoptivas em contexto clinico.
A autora (Beatriz San Román) é psicologa e mãe adoptiva.

Poderá tambem visitar o site: http://www.postadopcion.org/

Boa leitura!